É inevitável. Somos obrigados a aceitar certas verdades, uma delas é a de que todas as pessoas compartilham da mesma arapuca em algum ponto da vida. Seja pegar fila de banco, metrô lotado, pasta de dentes no fim e até mesmo seu paquera com outra. É natural divirdimos algumas desgraças, assim como a maior de delas: as lembranças.Lembrança é uma coisa complicada. Te dá momentos extremamente prazerosos se o que você recorda é algo maravilhoso. Mas... E se não é? E se o que você insiste em resgatar é algo que o seu coração já deveria ter perdoado, esquecido? Se você viaja pra perto daquela sua dor e não consegue deixa-la ir?
Aí, meu bem, a água bate na bunda e tu gostaria de deitar e ter uma amnésia colossal.
Infelizmente não é assim que funciona. É quase.
Mais uma verdade a ser compartilhada e vivida: a gente lembra o que quer lembrar, esquece o quer esquecer. Se a lembrança lhe envia um fax, foi você quem forneceu o número. Se você esqueceu o Marcelo, não foi por causa do Murilo, mas porque você viu que existe mais coisa a se conhecer... foi você que forneceu a senha do teu cofre. Você é quem se enjaula e quem se liberta.
Hoje você se descabala e diz que não é sua culpa, que não consegue, é mais forte que você. Então sinto concordar, você é mesmo uma pessoa fraca. E talvez até rancorosa. Ou aquelas patéticas que adoram o martírio, sofredoras por opção. É tudo show. De péssimo gosto e qualidade. E a terceira verdade compartilhada é que você sabe disso, e repete sempre na esperança de que Deus (e por que não o mundo?) se compadeça de seus problemas! Tem ainda aquelas que não esquecem as ofensas; e digerem lentamente o amargo do ressentimento. Tudo opcional.
Ninguém aqui afirmou ser fácil. E não é só dormir e esperar a amnésia... É dormir um dia e mais outro e mais muitos outros. É abrir os olhos para o que há ao redor, sacudir a poeira e aceitar que você é quem tem que escalar o buraco. É procurar lembrar só do que lhe faz bem e pode acrescentar de positivo nos seus dias.
E você, do que é que você se lembra?
